Este artigo apresenta os requisitos da Norma de desempenho NBR 15.575 relativos à segurança estrutural

Este é o segundo artigo da série sobre a NBR 15.575, que é a Norma de Desempenho para edificações residenciais.

A Norma de Desempenho tem o objetivo de assegurar que as obras de casas e apartamentos tenham critérios mínimos de qualidade e segurança. O dispositivo normativo divide a responsabilidade entre a indústria da construção, os profissionais de arquitetura e de engenharia e se estende até os moradores dos imóveis.

No primeiro artigo apresentamos um histórico sucinto, uma introdução conceitual da norma, sua estrutura e seus principais conceitos, princípios, requisitos e responsabilidades.

Neste texto começamos um pequeno guia e apresentamos os requisitos relativos à segurança estrutural da edificação e as ações a serem tomadas, com foco na atuação do projetista e do coordenador de projetos.

Em textos subsequentes apresentaremos as requisitos e as ações a serem tomadas por projetistas e coordenadores de projeto relativas a cada um dos demais conjuntos de requisitos do usuário dos grupos de segurança, sustentabilidade e habitabilidade, no intuito de que o conjunto dos artigos se configurem como um pequeno manual de consulta da norma de desempenho.

Norma de desempenho NBR 15.575: Segurança estrutural

Sumário do artigo

Introdução

A ABNT NBR 15.575 - Norma de desempenho estabelece regras cujo objetivo é garantir o conforto e a segurança de imóveis residenciais.

Diferente das normas tradicionais - ou prescritivas - que prescrevem as características constitutivas dos elementos, a norma de Desempenho determina as propriedades que os elementos devem possuir, ou desempenhar.

A norma apresenta o conceito de vida útil do projeto, define responsabilidades, impõe critérios e estabelece um nível mínimo de desempenho de uma edificação para seus principais elementos e sistemas. A NBR 15.575 está dividida nas seguintes partes:

No primeiro artigo desta série apresentamos a estrutura da norma e seus principais conceitos, princípios, requisitos e responsabilidades. É importante que seja lido antes deste.

A partir deste artigo da iniciamos um pequeno manual de consulta e apresentamos os requisitos relativos à segurança estrutural da edificação e as ações a serem tomadas, com foco na atuação do projetista e do coordenador de projetos.

Requisitos dos usuários

Ao longo dos artigos desta série apresentamos os requisitos e as ações a serem tomadas de acordo com diferentes temas tomando por base não exatamente as partes da divisão da norma ou as disciplinas envolvida mas, de forma transversal, tomando por base os requisitos dos usuários, tendo em vista que a norma aborda o desempenho da edificação para o usuário.

Conforme os itens 4.2 a 4.4 da NBR 15.575-1 os requisitos dos usuários estão divididos nos grupos de segurança, sustentabilidade e habitabilidade e são os seguintes.

  • Segurança
  • Habitabilidade
    • estanqueidade;
    • desempenho térmico;
    • desempenho acústico;
    • desempenho lumínico;
    • saúde, higiene e qualidade do ar;
    • funcionalidade e acessibilidade;
    • conforto tátil e antropodinâmico;
  • Sustentabilidade
    • durabilidade;
    • manutenibilidade;
    • impacto ambiental.

Cada artigo desta série aborda um ou mais destes conjuntos de requisitos. Assine nossa newsletter para ser avisado da publicação de novos artigos

Fases do projeto

Para os fins deste pequeno guia consideramos as principais fases do projeto conforme descritas a seguir.

  • Estudo preliminar

    Etapa destinada à concepção e à representação do conjunto de informações técnicas iniciais e aproximadas, necessários à compreensão da configuração da edificação.

  • Anteprojeto

    Etapa destinada à concepção e à representação das informações técnicas provisórias de detalhamento da edificação e de seus elementos, instalações e componentes, necessários ao inter-relacionamento das atividades técnicas de projeto e suficientes à elaboração de estimativas aproximadas de custos e de prazos dos serviços de obras implicados.

  • Projeto básico

    Etapa destinada à concepção e à representação das informações técnicas da edificação e de seus elementos, instalações e componentes, ainda não completas ou definitivas, mas consideradas compatíveis com os projetos básicos das atividades técnicas necessárias e suficientes à contratação dos serviços de obras correspondentes.

  • Projeto Executivo

    Etapa destinada à concepão e à representação final das informações técnicas da edificação e de seus elementos, instalações e componentes, completas, definitivas, necessárias e suficientes à contratação e à execução dos serviços de obra correspondentes.

Para o atendimento de cada item de requisito abordado indicaremos a partir de qual fase do projeto o item deve ser verificado e monitorado.

Disciplinas envolvidas

Para os fins deste pequeno guia consideramos os seguintes conjuntos de disciplinas de projeto ou consultoria.

  • Arquitetura

    • Projeto de arquitetura;
    • Projeto de arquitetura de interiores;
    • Projeto de paisagismo;
  • Estrutura

    • Projeto estrutural;
  • Instalações

    • Projeto de instalações hidrossanitárias;
    • Projeto de instações elétricas e lógicas;
    • Projeto de ar condicionado;
  • Consultorias e projetos especializados

    Inclui todas as demais consultorias e projetos especializados que, conforme o caso, podem ser úteis para o atendimento à Norma de desempenho, tais como SPDA, contenções, comunicação visual, acústica, impermeabilização, combate a incêndio, dentre outros.

Para o atendimento de cada item de requisito abordado indicaremos quais conjuntos de disciplinas devem ser consideradas.

Requisitos de segurança estrutural

O intuito deste pequeno guia é constituir-se numa referência de consulta para arquitetos projetistas e coordenadores de projeto com relação à Norma de Desempenho, indicando o que pode ser atendido, o que necessita de aprofundamento e o que eventualmente pode requerer um consultor.

É importante mencionar que a própria Norma de Desempenho ABNT NBR 15.575 é de leitura obrigatória.


Requisitos gerais

Consiste em atender durante toda a vida útil de projeto, sob as diversas condições de exposição, aos requisitos gerais de:

  • não ruir ou perder a estabilidade de qualquer de suas partes;
  • prover segurança aos usuários sob a ação de impactos, choques, vibrações e outras solicitações decorrentes da utilização normal da edificação, previsíveis na época do projeto;
  • não provocar a sensação de insegurança para os usuários pelas deformações de quaisquer elementos da edificação; não repercutir em estados inaceitáveis de fissura de vedações e acabamentos;
  • não prejudicar a manobra normal de partes móveis, como portas e janelas, nem prejudicar o funcionamento normal das instalações em face das deformações dos elementos estruturais;
  • atender às disposições da NBR 5629, NBR 11.682 e NBR 6122 relativas às interações com o solo e com o entorno da edificação.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos gerais relativos à segurança estrutural são aqueles tratados no item 7.1 da NBR 15.575-2. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de anteprojeto e envolvem disciplinas de arquitetura, estrutura, instalações, além de consultorias/projetos especializados.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Gerar planta-chave ou mapa de utilização de todos pavimentos e de cobertura, indicando sobrecargas especiais.
  • Coordenador de projeto

    • Orientar que no projeto estrutural conste planta-chave ou mapa de sobrecargas de utilização;
    • Orientar que no Manual do Proprietário constem as informações relativas às sobrecargas limitantes no uso das edificações.

Estabilidade e resistência do sistema estrutural e dos elementos estrutuais

Envolve o conceito de Estado limite último - ELU.

É necessário tender às disposições aplicáveis das normas que abordam a estabilidade e a segurança estrutural para todos os componentes estruturais da edificação.

Para casas térreas ou sobrados de até 6 metros de altura não é necessário o atendimento às dimensões mínimas dos componentes estruturais.

As vedações verticais com função estrutural devem ser projetadas, construídas e montadas de modo a atender aos critérios especificados no item 7.2 da NBR 15;575-2 e às disposições aplicáveis em outras normas brasileiras.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos de estabilidade e resistência são tratados no item 7.2.1 da NBR 15.575-2, no item 7.2.1 da NBR 15.575-3, no item 7.1.1 da NBR 15.575-4 e no item 7.2.2 da NBR 15.575-5. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de anteprojeto e envolvem disciplinas de arquitetura, estrutura, instalações, além de consultorias/projetos especializados.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Indicar as áreas acessíveis na cobertura e a utilização prevista.
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista estrutural:
      • Declaração de que o projeto estrutural e os documentos técnicos estão conforme as normas aplicáveis;
      • Especificação das premissas utilizadas como base, incluindo ações de vento e condições de exposição do local, apresentando a justificativa dos fundamentos técnicos com base nas normas da ABNT ou, na sua ausência destas, com base nos Eurocódigos ou em ensaios conforme:
        • Indicação da vida útil de projeto de acordo com a NBR 15575-1;
        • Demonstrações analíticas ou memórias de cálculo;
        • Avaliação sobre a necessidade de ensaio conforme a NBR 5643;
    • Solicitar do projetista da cobertura:
      • Memória de cálculo que comprove o atendimento aos itens 7.2.2.1 e 7.3.1 da NBR 15.575-2 e à NBR 6123 ou, pelo menos, a declaração expressa de atendimento a estes itens.
    • Determinar a realização de ensaios caso a modelagem matemática do comportamento não for conhecida ou não existir norma específica.

Resistência, Estados de Fissura e Deformabilidade

Envolve o conceito de Estados Limites de Serviço - ELS para deslocamentos e fissuras máximas.

Os componentes não devem extrapolar os deslocamentos ou fissuras máximas sob ação de cargas gravitacionais, de temperatura, de vento, de recalques diferenciais das fundações, ou outras.

O sistema de cobertura deve ser projetado, construído e montado de modo a atender aos critérios especificados na NBR 15.575-2 e impedir que ocorra remoção ou danos aos seus componentes por sucção ou pela utilização. A ação do vento deve ser calculada conforme NBR 6123.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a resistência, estados de fissura e deformabilidade são tratados no item 7.3.1 da NBR 15.575-2, nos itens 7.2.1 e 7.3.1 da NBR 15.575-4 e no item 7.1.1 da NBR 15.575-5. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de arquitetura e estrutura.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Em caso de Sistemas de Vedação Vertical - SVV sem função estrutural, indicar no projeto a necessidade de atendimento à norma a partir de resultado de ensaio, conforme NBR 10.821-3 ou Anexo G da NBR 15.575-4.
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista estrutural:
      • Declaração de que o projeto estrutural, cálculos e documentos técnicos estão conforme as normas aplicáveis;
      • Demonstrações analíticas ou memórias de cálculo;
      • Indicação de função estrutural ou não do Sistema de Vedação Vertical - SVV e em caso de SVV com função estrutural:
        • Indicação no projeto da necessidade de atendimento à norma a partir de resultado de ensaio, conforme Anexo B da NBR 15.575-2.
    • Solicitar ao projetista da cobertura:
      • Especificação dos insumos, componentes e planos de montagem e eetalhes de fixação;
      • Considerações expressas sobre a ação do vento, principalmente sobre as zonas de sucção;
      • Especificação da influência positiva ou não nas platibandas.

Resistência a solicitações de cargas provenientes de peças suspensas

Trata-se da capacidade de suporte para peças suspensas.

As vedações e forros não devem apresentar fissuras, deslocamentos, lascamentos ou rupturas, nem permitir o arrancamento dos dispositivos de fixação ou seu esmagamento.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a solicitações de cargas provenientes de peças suspensas são tratados no item 7.3.1 da NBR 15.575-2, no item 7.3.1 da NBR 15.575-3, no item 7.3.1 da NBR 15.575-4 e no item 7.4.1 da NBR 15.575-5. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de anteprojeto e envolvem disciplinas de arquitetura, estrutura, instalações, além de consultorias/projetos especializados.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Indicar no projeto os locais, usos e cargas máximas previstas para fixação de peças, redes, instalações, etc;
    • Especificar os dispositivos e sistemas de fixação considerados;
    • Especificar as restrições e mencionar as recomendações e limitações de uso;
    • Se conveniente, pode ser estabelecida carga e fixação genérica admitida em toda edificação;
    • Especificar a necessidade de ensaios conforme Anexo A da NBR 15.575-4 e Anexo B NBR 15.575-5;
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista de instalações:
      • Informações relativas à fixação dos componentes previstos no projeto, considerando as cargas previstas e os resultados de ensaio dos respectivos suportes.

Resistência a impactos de corpo mole e corpo duro

Sob ação de impactos progressivos de corpo mole e corpo duro os os elementos da edificação não podem sofrer ruptura ou instabilidade, apresentar fissuras, escamações, delaminações ou qualquer outro tipo de falha e sofrer deslocamentos acima dos previstos na norma.

Tais impactos também não podem provocar danos a componentes, instalações ou aos acabamentos acoplados, conforme a energia de impacto das mesmas tabelas de referência.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a resistência a impactos de corpo mole e corpo duro são tratados no item 7.4 da NBR 15.575-3, no item 7.4 da NBR 15.575-4 e no item 7.3 da NBR 15.575-5. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de arquitetura e estrutura.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Especificar Sistemas de Vedação Vertical - SVV, pisos e coberturas que assegurem a reposição de materiais de revestimento empregados;
    • Explicitar que o revestimento interno da parede de fachada multicamada não faz parte integrante da estrutura da parede, nem é considerado no contraventamento, quando for o caso;
    • Especificar a necessidade de comprovação por ensaio para a liberação da execução do sistema ou especificar sistema já testado;
    • Estabelecer o tipo de utilização prevista para o Sistema de Cobertura em suas diversas áreas e citar a necessidade de ensaios
  • Coordenador de projeto

    • Orientar que no projeto estrutural constem e sejam considerados todos os itens descritos acima.
    • Determinar a realização dos seguintes ensaios, conforme o caso:
      • Ensaio de resistência a impacto das divisórias leves conforme NBR 11.675;
      • Ensaio de corpo mole previsto no item 7.4.1.1, tabela 5, da NBR 15.575-2;
      • Ensaio de corpo duro previsto no item 7.4.2.1., tabela 8, da NBR 15.575-2.

Resistência a cargas de ocupação incidentes em guarda-corpos e parapeitos de janela

Tratam-se de ações estáticas horizontais, estáticas verticais e de impactos incidentes em guarda-corpos e parapeitos. Devem ser atendidos os requisitos da NBR 14.718 e o critérios de impactos de corpo mole e corpo duro.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a cargas de ocupação incidentes em guarda-corpos e parapeitos de janela são tratados no item 7.7.1 da NBR 15.575-4. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto executivo apenas e envolvem disciplinas de arquitetura e estrutura.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Estabelecer os detalhes executivos e referir-se às normas citadas na especificação e às cargas de uso previstas para os casos especiais, além de atender às dimensões estabelecidas na NBR 14.718.
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar calculo estrutural para alvenarias, concreto ou serralheria e/ou consultoria especializada em caso de guarda-corpo de vidro ou caixilho;
    • Determinar a necessidade de realização de ensaio em laboratório ou em campo de acordo com os métodos dos anexos A e C da NBR 14.718.

Resistência a cargas verticais concentradas em pisos

O Sistema de Pisos não pode apresentar ruptura ou qualquer outro dano, nem apresentar deslocamentos acima de L/500 para pisos rígidos ou L/300 para dúcteis, de acordo com ensaios realizados conforme o Anexo B da NBR 15.575-3

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a cargas verticais concentradas em pisos são tratados no item 7.5.1 da NBR 15.575-3. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de arquitetura e estrutura.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Especificar sistemas de pisos já ensaiados conforme indicado ou determinar ensaio prévio conforme o Anexo B da NBR 15.575-3.
  • Coordenador de projeto

    • Orientar que no projeto estrutural constem e sejam considerados todos os itens descritos acima.

Resistência a ações transmitidas por portas

Tratam-se das ações transmitidas por portas internas ou externas. Os Sistemas de Vedações Verticais Internas e Externas - SVVIE não podem apresentar falhas sob 10 solicitações de fechamento brusco ou impactos de corpo mole.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a ações transmitidas por portas são tratados no item 7.5.1 da NBR 15.575-4. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de arquitetura e estrutura.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Especificar Sistemas de Vedações Verticais Internas e Externas - SVVIE já ensaiados conforme indicado ou determinar ensaio prévio conforme NBR 15.930-2.
  • Coordenador de projeto

    • Orientar que no projeto estrutural constem e sejam considerados todos os itens descritos acima;
    • Determinar a realização dos seguintes ensaios, conforme o caso:
      • Ensaio de fechamento brusco conforme NBR 15.930-2 (na montagem da porta para ensaio, as fechaduras devem ser instaladas conforme NBR 14.913);
      • Ensaio de impacto de corpo mole.

Resistência mecânica - instalações suspensas

Os fixadores ou suportes e as tubulações suspensas devem resistir, sem entrar em colapso, a 5 vezes o peso próprio das tubulações cheias d’água, e não podem apresentar deformações que excedam 0,5% do vão.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a resistência mecânica de instalações suspensas são tratados no item 7.1.1 da NBR 15.575-6. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de estrutura, instalações, além de consultorias/projetos especializados.

Ações necessárias

  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista de instalações:
      • Especificação da posição e carga das instalações;
      • Apresentação de resultado de ensaio em laboratório ou em campo demonstrando o critério descrito para execução dos serviços, conforme item 7.1.1.1 da NBR 15.575-6.

Resistência mecânica - instalações enterradas

Devem ser previstos em projeto a existência de berços e envelopamentos dimensionados para garantir a estabilidade da instalação, ou conforme literatura especializada.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a resistência mecânica de instalações enterradas são tratados no item 7.1.2 da NBR 15.575-6. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de estrutura, instalações, além de consultorias/projetos especializados.

Ações necessárias

  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista de instalações:
      • Especificação da exigência estrutural, que deverá ser comprovada pelo calculista estrutural ou por literatura especializada.

Resistência mecânica - instalações embutidas

Devems ser previstos em projeto a existência de dispositivos que assegurem a não transmissão de esforços para a tubulação nos pontos de transição entre elementos (parede x piso, parede x pilar, e outros).

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a resistência mecânica de instalações embutidas são tratados no item 7.1.3 da NBR 15.575-6. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de estrutura, instalações, além de consultorias/projetos especializados.

Ações necessárias

  • Coordenador de projeto

    • Verificar o detalhamento nos projetos executivos de estrutura e instalações.

Solicitações de montagem ou manutenção do Sistema de Cobertura

O sistema de cobertura deve suportar cargas de pessoas e objetos durante as fases de montagem e manutenção.

As estruturas principal e secundária do sistema de cobertura devem resistir a cargas concentradas. Não devem ocorrer falhas e estrapolação de limite máximo de deslocamento da cobertura sob ação de carga vertical concentrada de até 1 kN.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a solicitações de montagem ou manutenção do Sistema de Cobertura são tratados no item 7.2.1 da NBR 15.575-5. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de arquitetura e estrutura.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Incluir sistema de ancoragem para manutenção.
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista estrutural:
      • Declaração de que o projeto estrutural e os documentos técnicos estão conforme as normas aplicáveis;
      • Demonstrações analíticas ou memórias de cálculo;
    • Solicitar ao projetista de cobertura:
      • Indicação da Vida Útil de Projeto - VUP, com prazos não inferiores aos indicados na NBR 15.575-1;
      • Memória de cálculo;
      • Especificação das Normas Brasileiras, estrangeiras ou internacionais adotadas.
    • Determinar a realização, conforme o caso, de ensaios em campo ou em laboratório, nas estruturas principais e secundárias, incluindo-se todas as ligações, vinculações e acessórios.

Solicitações de cargas concentradas em Sistemas de Cobertura acessíveis aos usuários

Tratam-se de cargas concentradas em sistemas de cobertura que sejam acessíveis aos usuários.

Não devem ocorrer falhas e extrapolação de limite máximo de deslocamento da cobertura sob ação de três cargas verticais concentradas, em cobertura acessível ao usuáro.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a solicitações de cargas concentradas em Sistemas de Cobertura acessíveis aos usuários são tratados no item 7.2.2 da NBR 15.575-5. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de anteprojeto e envolvem disciplinas de arquitetura, estrutura, instalações, além de consultorias/projetos especializados.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Indicar as áreas acessíveis na cobertura e a utilização prevista.
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista estrutural:
      • Declaração de que o projeto estrutural e os documentos técnicos estão conforme as normas aplicáveis;
      • Demonstrações analíticas ou memórias de cálculo;
      • Determinação da necessidade de realizar ensaio em campo ou em laboratório, conforme Anexo A da NBR 15.575-5.

Solicitações dinâmicas - válvulas de descarga

A Sobrepressão máxima provocada no fechamento de válvulas de descarga, metais de fechamento rápido e do tipo monocomando não pode ser superior a 0,2 MPa.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a solicitações dinâmicas de válvulas de descarga são tratados no item 7.2.1 da NBR 15.575-6. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de arquitetura e instalações.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Especificar modelos de válvula que atendam à NBR 15.875.
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista de instalações:
      • Determinação de que as válvulas de descarga atendam aos ensaios previstos na NBR 15.875.

Solicitações dinâmicas - pressão estática

Deve-se atender à pressão estática máxima estabelecida na NBR 5626.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a solicitações dinâmicas de pressão estática são tratados no item 7.2.2 da NBR 15.575-6. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem a disciplina de instalações apenas.

Ações necessárias

  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista de instalações:
      • Declaração de atendimento à NBR 5626 ou memória de cálculo.

Solicitações dinâmicas - bombas de recalque

Trata-se da sobrepressão máxima quando da parada de bombas de recalque. A velocidade do fluido deve ser inferior a 10 m/s.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a solicitações dinâmicas de bombas de recalque são tratados no item 7.2.3 da NBR 15.575-6. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem a disciplina de instalações apenas.

Ações necessárias

  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista de instalações:
      • Especificação da velocidade do fluido prevista (Para velocidades acima de 10 m/s deve ser previsto um dispositivo redutor).

Solicitações dinâmicas - impacto em tubulações aparentes

Trata-se da resistência a impactos de tubulações aparentes fixadas a até 1,5 m do piso. Não deve ocorrer de perda de funcionalidade ou ruína por impactos de corpo mole e de corpo duro, conforme critérios da norma.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a solicitações dinâmicas de impacto em tubulações aparentes são tratados no item 7.2.4 da NBR 15.575-6. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem disciplinas de arquitetura e instalações.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Especificar os locais com necessidade de proteção, se for o caso.
  • Coordenador de projeto

    • Solicitar ao projetista de instalações:
      • Especificação das tubulações aparentes com altura até 1,5 m;
      • Comprovação do atendimento a este requisito através de ensaios de impacto, conforme itens 7.2.4 e 7.2.4.1 da NBR 15.575-6.

Ação do granizo e outras cargas acidentais em telhados

Sob a ação de impactos de corpo duro, como granizo, o Sistema de Cobertura não pode sofrer ruptura ou trespassamento em face de aplicação de impacto com energia igual a 1 J. Todavia, é tolerada a ocorrência de falhas superficiais como fissuras, lascamentos e outros danos que não ocasionem a perda da estanqueidade.

Itens, fases e disciplinas

Os requisitos relativos a ação do granizo e de outras cargas acidentais em telhados são tratados no item 7.5.1 da NBR 15.575-5. Estes requisitos devem ser verificados e monitorados a partir da fase de projeto básico e envolvem a disciplina de arquitetura apenas.

Ações necessárias

  • Arquiteto / projetista

    • Especificar os elementos de vedação da cobertura, considerando o atendimento a ensaio de acordo com Anexo C da NBR 15.575-5.
  • Coordenador de projeto

    • Orientar que no projeto constem e sejam considerados todos os itens descritos acima.

Conclusão

Neste artigo tratamos da NBR 15.575, a Norma de Desempenho para edificações habitacionais. Começamos um pequeno guia e apresentamos os requisitos relativos à segurança estrutural da edificação e as ações a serem tomadas, com foco na atuação do projetista e do coordenador de projetos.

Nos textos subsequentes desta série apresentaremos as requisitos e as ações a serem tomadas por projetistas e coordenadores de projeto relativas a cada um dos demais conjuntos de requisitos do usuário dos grupos de segurança, sustentabilidade e habitabilidade, no intuito de que o conjunto dos artigos se configurem como um pequeno manual de consulta da norma de desempenho.

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Principais referências